Convento de Nossa Senhora da Graça (Monumento de Interesse Público)

Em 1497, no processo de expulsão dos Judeus, D. Manuel I ordenou a extinção das sinagogas e sua conversão em igrejas ou em edifícios para outros fins. Daqui resultou a desocupação da antiga judiaria de Tavira, espaço mais tarde aproveitado pela Ordem de Santo Agostinho para fundar o seu convento, em 1542, o qual resulta da trasladação de um outro convento que teve vida efémera na praça africana de Azamor.

As obras, todavia, não se iniciaram antes de 1569, dado que os primeiros anos de vida da instituição foram marcados pela figura de Frei Valentim da Luz, prior do convento e intelectual que assumiu algumas posições protestantes, tendo acabado por ser acusado pela Inquisição e morto num auto de fé em Lisboa.

Dessa primeira construção pouco resta à exceção do claustro, cujo primeiro piso mantém a estrutura original, de conceção clássica algo erudita, traduzida em colunatas de ordem toscana. Também a igreja deve a sua estrutura ao primitivo templo da segunda metade do século XVI, embora tenha sido alterada ao longo dos séculos. As obras de construção do convento foram lentas, prolongando-se até ao século XVII. É, ainda assim, considerado uma das obras pioneiras do “estilo chão” no Algarve.

No século XVIII o edifício é alvo de nova e ambiciosa campanha de obras iniciada em 1749 sob a direção do arquiteto algarvio Diogo Tavares e Ataíde, o qual restaurou o claustro e remodelou várias alas conventuais. Esta campanha veio a atualizar o convento dentro do formulário barroco, destacando-se o amplo corpo da fachada principal, destinado ao dormitório dos frades, o qual seguiu um projeto arquitetónico vindo de Lisboa.

A partir de 1834, com a extinção das ordens religiosas, o edifício ficou afeto ao Ministério da Guerra que aqui instalou sucessivas unidades militares. Mais recentemente foi adquirido pelo município e cedido às “Pousadas de Portugal”, que o reabilitou para funções hoteleiras em 2006. Esta obra possibilitou a intervenção arqueológica no espaço, processo que permitiu a abertura de um núcleo museológico composto por vestígios de um bairro islâmico de finais do século XII e inícios do século XIII.

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