Património

Museu Municipal de Tavira inaugura “Fernando Lemos. As imagens que nos olham”

Exposição reúne mais de cem fotografias do artista surrealista, no âmbito das celebrações do centenário do seu nascimento.

O Museu Municipal de Tavira – Palácio da Galeria inaugura, no sábado, dia 14 de novembro, pelas 16h00, a exposição «Fernando Lemos. As imagens que nos olham», que fica patente até 03 de abril de 2027.

Numa parceria entre o Município de Tavira e a Fundação Cupertino de Miranda, de Vila Nova de Famalicão, a mostra integra as celebrações do Centenário do Nascimento de Fernando Lemos (1926–2019) e apresenta obras da coleção da Fundação, detentora do Centro Português do Surrealismo, com curadoria de Marlene Oliveira.

Esta colaboração insere-se na política de parcerias institucionais que o Município tem vindo a desenvolver e que tem trazido a Tavira coleções de grandes entidades culturais portuguesas, aproximando o público do concelho e da região de obras e autores de referência.

A exposição reúne mais de cem fotografias de um dos nomes fundamentais da arte portuguesa do século XX, realizadas maioritariamente entre 1949 e 1952 — um período breve, mas decisivo, da sua produção. O conjunto constitui um dos núcleos mais singulares da fotografia portuguesa do século XX e testemunha a intensa experiência surrealista vivida em Portugal no pós-guerra.

Mais do que registos, estas imagens são construções mentais: experiências sobre a luz, a sombra, o corpo e a identidade. Retratos, autorretratos e figuras do círculo próximo do artista surgem em enquadramentos inesperados, onde máscaras, sombras e sobreposições transformam o rosto e o corpo em territórios de desejo, ironia e sonho. Próximas do automatismo surrealista, não resultam, contudo, do puro acaso: como o próprio Fernando Lemos afirmou, depois do primeiro gesto automático, a fotografia, tal como a escrita, passou a ser dirigida e programada.

O núcleo apresentado acompanha a participação do artista no movimento surrealista português e o período que antecede a exposição de 1952, na Casa Jalco, com Marcelino Vespeira e Fernando de Azevedo, e a sua partida para o Brasil, em 1953. Num contexto de censura e repressão, a fotografia tornou-se também um território de liberdade, capaz de desafiar os códigos da representação.

Fernando Lemos dizia ser “uma gota de água que se recusou ao dilúvio”. Mais de sete décadas depois, estas fotografias continuam a olhar-nos de volta, com a mesma intensidade, estranheza e liberdade.

Sobre o artista:

Fernando Lemos (Lisboa, 1926 – São Paulo, 2019) desenvolveu uma obra livre de fronteiras entre a fotografia, a pintura, o desenho, a poesia e o design. Figura incontornável do surrealismo português, fixou-se no Brasil em 1953, onde prosseguiu uma longa carreira como artista plástico e designer gráfico. «Mais um português à procura de coisa melhor», dizia de si próprio, numa síntese irónica e lúcida de uma vida marcada pela experimentação e pela procura permanente de novas formas de expressão.

+ Info:
Museu Municipal de Tavira
Tel.: 281 320 540
E-mail: museu@cm-tavira.pt