Igreja do Espirito Santo do Hospital ou de São José (Monumento de Interesse Público)

O hospital do Espírito Santo de Tavira foi erigido a partir de 1454, num terreno doado por D. Afonso V, tendo como missão acolher os enfermos das expedições marroquinas e ultramarinas. O edifício então construído incorporava uma igreja gótica que se distinguia pelo seu modelo invulgar de duas naves e cabeceira bipartida, com duas capelas dedicadas aos oragos das confrarias fundadoras (Santa Maria-a-Nova e Espírito Santo).

Conta-se que o edifício começa a ser conhecido como Hospital de São José devido a um fenómeno, ocorrido em 1721, envolvendo uma imagem do santo exposta num retábulo colateral da igreja. Segundo a lenda, nesse ano o santo terá suado por três vezes atribuindo-se causa milagrosa ao acontecimento. Será, também, por volta dessa data que D. João V coloca o hospital e a igreja sob proteção régia, dando-lhe prerrogativas de capela real.

Durante a primeira metade do século XVIII o hospital e igreja começam a apresentar graves problemas de conservação, levando D. João V a lançar um imposto por todo o Algarve, a partir de 1746, para financiar a sua reconstrução. As obras iniciam-se em 1752 sob a direção do arquiteto algarvio Diogo Tavares e Ataíde, comprometendo-se este a concluir a obras no prazo de três anos. No entanto, o terramoto de 1755 causa graves danos ao edifício que se estava a reedificar, levantando vários problemas que determinam o arrastamento das obras até 1768, conforme se depreende da data assinalada na fachada principal.

Em resultado destas obras a igreja apresenta como particularidade a sua planta de capela-mor retangular e nave única octogonal de lados desiguais, filiando-se numa tipologia barroca que tem como protótipo a igreja lisboeta do Menino Deus (1712). Os diversos vãos existentes no interior, todos eles com elaborados emolduramentos de cantaria, utilizam desenhos eruditos de influência italiana muito recorrentes noutros trabalhos do mestre Diogo Tavares e Ataíde.

Do primitivo templo conserva-se uma capela quinhentista, do lado do Evangelho. É coberta por uma dinâmica abóbada manuelina onde figuram as armas dos Costas e Melos, alusivas à família da instituidora, D. Mécia Corte Real, viúva de Francisco de Melo, Comendador da Ordem de Santiago.

No que respeita à ornamentação interior, destaca-se o retábulo principal, um dos poucos exemplares de pintura em “trompe l’oeil” na região algarvia, executado pelo pintor Joaquim Rasquinho em 1805. Os retábulos colaterais em talha, junto ao arco triunfal, são gémeos e adotam o formulário rococó, estando já concluídos em 1777. Merecem também referência os dois retábulos laterais tardios, concluídos já no século XIX, expondo as imagens setecentistas de Nossa Senhora do Carmo e de Santa Teresa de Ávila, ambas de grandes proporções e provenientes dos extinto convento do Carmo de Tavira.

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