Igreja Matriz de Santa Maria (Monumento Nacional)

A igreja de Santa Maria terá sido fundada no século XIII no local da antiga mesquita do tempo da ocupação muçulmana, desconhecendo-se as datas das campanhas medievais promovidas após a reconquista cristã. Os graves danos provocados pelo terramoto de 1755 determinaram a reconstrução do templo, a partir de 1790, por ordem do Bispo do Algarve D. Francisco Gomes de Avelar. O projeto foi elaborado pelo arquiteto italiano Francisco Xavier Fabri, recrutado de Bolonha pelo Bispo com a intenção de o ajudar a reconstruir alguns templos da diocese.

Nas reconstruções promovidas pelo Bispo e por Francisco Fabri verifica-se um grande respeito pelo passado. O mérito da intervenção realizada nesta igreja deve-se à hábil articulação entre o projeto moderno, de sabor neoclássico, com o que restava da antiga igreja medieval, resultando numa peculiar igreja eclética. A cabeceira e algumas capelas laterais foram reaproveitadas, constituindo importantes testemunhos da antiga igreja, mantendo-se também o antigo pórtico medieval, de estilo gótico, integrado na nova lógica neoclássica da fachada principal.

Na capela-mor, do lado da Epístola, encontra-se uma inscrição lapidar correspondente ao túmulo dos venerados “sete cavaleiros mártires de Tavira”. Segundo a lenda, estes últimos foram mortos de forma traiçoeira pouco antes da conquista de Tavira aos mouros em 1242. Do lado oposto, encontra-se a lápide sepulcral de D. Paio Peres Correia, Grão-mestre da Ordem de Santiago e herói da conquista de Tavira. Aquela foi colocada somente no século XVIII devido à crença antiga que atribui a esta igreja o local de sepulcro do mestre. 

Erigida entre 1518 e 1534, a capela lateral do Senhor dos Passos, da qual resta uma dinâmica abóbada polinervada, constitui um bom exemplo de interpretação local do estilo manuelino. Sua construção teria, inicialmente, fins sepulcrais, sendo promovida pelo fidalgo Lançarote de Melo, comendador da Ordem de Santiago na vila de Casével (Castro Verde).

Segue-se-lhe a capela do Santíssimo, também sobrevivente ao sismo de 1755, refletindo a riqueza decorativa do período barroco, sobretudo, pelo revestimento integral das paredes com painéis de azulejos. Esta capela foi encomendada, em 1748, por D. Isabel de Almada Aragão, viúva do capitão-mor de Cacela e fidalgo da Câmara do Infante D. Francisco, António Martins Carapeto. Os painéis de azulejo colocam em evidência temas ligados aos sacramentos da Penitência (Lava-Pés) e da Eucaristia (Última Ceia), estando atribuídos à oficina lisboeta de Bartolomeu Antunes e Nicolau de Freitas, uma das responsáveis pela grande produção de azulejaria do período joanino.

Na capela-mor destaca-se o retábulo principal pintado em trompe l’oeil (ilusão ótica), constituindo um dos raros exemplares existentes no Algarve. Sua execução deveu-se ao pintor algarvio Joaquim José Rasquinho, em finais do século XVIII ou inícios do século XIX.

Nesta igreja é possível observar ainda diversos exemplares de azulejaria, pintura, talha e imaginária religiosa de várias épocas.

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