Igreja Matriz de Santiago

Fundada no século XIII, pouco se sabe sobre as origens desta igreja, cujo padroeiro evoca o período da reconquista e a influência da Ordem de Santiago no território (sendo esta responsável pela conquista de Tavira em 1242).

Atendendo à orientação do templo - diferente da tradicional orientação a Nascente das igrejas medievais - suspeita-se que este tenha sido construído sobre uma antiga edificação do período muçulmano. Em 1270 D. Afonso III faz doação da igreja e sua colegiada ao quarto Bispo de Silves, D. Bartolomeu, ficando a partir de então na posse do Cabido deste bispado. Era sede de uma freguesia muito extensa que, até ao século XV, abrangia o lugar de Moncarapacho.

O edifício terá mantido grande parte da sua estrutura medieval até ao terramoto de 1755, o qual infligiu danos à igreja, determinando a sua reconstrução. Devido à falta de meios da paróquia, D. José I ordena, em 1763, que fossem aplicados os rendimentos das confrarias com atividade nesta igreja no financiamento das obras. Em termos arquitetónicos ressalta da reconstrução uma grande sobriedade, reveladora da falta de meios do período pós-terramoto. A simplicidade da planta, de nave única e capela-mor retangulares, é somente quebrada no alçado sul, onde um conjunto de volumes salientes que resultam das capelas laterais, sacristia e anexos conferem uma grande dinâmica e tornam o alçado exterior particularmente interessante.

 A fachada principal apresenta um exuberante medalhão setecentista que exalta a figura do padroeiro, Santiago, representado como guerreiro, recordando a lenda da sua milagrosa aparição numa batalha travada durante a reconquista cristã.

No interior destaca-se a capela lateral do Santíssimo que apresenta alguns vestígios renascentistas, de meados do século XVI, nomeadamente a abóbada e uma recôndita escultura em relevo, situada no frontal de altar, representando os Instrumentos da Paixão de Cristo e os quatro Evangelistas. À entrada desta capela, realce para os célebres Painéis de Santa Maria, um conjunto de pinturas sobre madeira, dos séculos XV e XVI, representando São Pedro, São João Baptista, São Brás e São Vicente, originalmente expostos na vizinha igreja de Santa Maria.

Os danos infligidos pelos sismos e as intervenções de reparação do templo vieram a consumir grande parte dos retábulos, pinturas e esculturas que esta igreja detinha antes do século XVIII. O acervo decorativo atualizou-se, assim, dentro dos moldes artísticos pós-terramoto. Este aspeto é particularmente visível na capela-mor, cujo retábulo é já de finais do século XVIII ou de inícios do século XIX. Da mesma época serão os quatro quadros de grandes dimensões, representando temas da vida da Virgem, da autoria do pintor algarvio Joaquim José Rasquinho (1736-1822).

Na nave estão expostos retábulos em talha, imagens e pinturas religiosas, de várias épocas, algumas provenientes de outros templos da cidade.

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