Igreja de Santo António dos Capuchos

Os frades franciscanos capuchos chegam a Tavira em 1607 e ocupam provisoriamente a ermida de Nossa Senhora da Esperança, na zona da Atalaia, enquanto decidem o local exato para construir o seu convento. O sítio escolhido acabou por ser o mesmo local onde se encontravam, iniciando-se a construção em 1612, abrangendo parte de uma fazenda suburbana e de um terreiro público. A fachada da igreja, único elemento que se relacionava com o exterior, ficou orientada o campo da Atalaia, ficando as restantes instalações conventuais no interior da cerca.

A igreja é um exemplo da austeridade da arquitetura “chã” seiscentista e da sobriedade característica dos franciscanos capuchinhos. Possui uma planta retangular simples, com endonártex, nave única e capela-mor. Durante a segunda metade do século XVIII é remodelada a fachada principal, introduzindo-se um frontão e um janelão barrocos.

No interior é possível admirar o Trânsito de Santo António, curioso conjunto escultórico setecentista, em barro, integrado numa tipologia vulgar noutros conventos capuchos (casos de Vila Viçosa e Portalegre). É constituído por três grupos, de tamanho quase natural, representando o episódio em que o Santo salva o pai da forca, o milagre da mula do herético e a morte do Santo em Pádua.

No interior é ainda possível admirar retábulos em talha e exemplares de pintura e de imaginária religiosa dos séculos XVI a XIX. Na abóbada da capela-mor saliente-se a pintura mural de perspetiva ilusionista, integrando cenas da vida do padroeiro.

Das antigas instalações conventuais destaca-se o claustro, de grande sobriedade, com três arcos por banda assentes em pilares de secção quadrada.

Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento foi vendido em hasta pública, tendo a igreja sido adquirida pela confraria de Santo António, em 1856, até então sediada na igreja do convento de São Francisco.

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